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Unicef: Boko Haram raptou mais de mil crianças desde 2013 na Nigéria

Órgão da ONU informou que mais de mil sequestros foram documentados e verificados, mas que o número de casos pode ser muito maior

Reuters/Ola Lanre/21.3.2018

 

  • Carolina Vilela* do R7, com Reuters
  • 13/04/2018 - 11H04 (ATUALIZADO EM 13/04/2018 - 11H28)

 

O Boko Haram, grupo extremista que luta pelo fim da democracia na Nigéria, já sequestrou mais mil crianças desde 2013, segundo comunicado da Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado nesta sexta-feira (13).

O grupo sequestra as crianças para espalhar o medo e mostrar seu poder, informou o comunicado publicado na véspera do aniversário de quatro anos do sequestro de 276 meninas na cidade de Chibok, caso que gerou indignação global.

O órgão ligado à crianças da ONU informou que já foram documentados e verificados mais de mil sequestros, mas acrescentou que o número de casos pode ser muito maior. 

A Unicef entrevistou uma menina, Khadija, agora com 17 anos, que foi sequestrada pelo grupo depois de um ataque na cidade em que morava, trancada em um quarto, forçada a se casar com um dos membros do Boko Haram e estuprada várias vezes.

Ela engravidou e "agora vive com seu filho em um campo de deslocados internos, onde ela lutou para se integrar com as outras mulheres devido às barreiras linguísticas e ao estigma de ser uma 'esposa do Boko Haram'", segundo a Unicef.

Pelo menos 2.295 professores foram mortos e mais de 1.400 escolas foram destruídas nos ataques do grupo extremista na Nigéria desde 2013, acrescentou o comunicado. 

Os conflitos do Boko Haram chegaram no seu décimo ano, mas parecem estar longe de chegar ao fim. Em fevereiro, uma facção sequestrou mais de 100 meninas, alunas de uma escola na cidade de Dapchi, antes intocada pela guerra.

Um mês depois, o grupo libertou quase todas as meninas raptadas. Cinco morreram nas mãos dos terroristas do Boko Haram. Uma menina, Leah Sharibu, permanece em cativeiro porque se recusou a se converter ao islamismo, disseram seus colegas libertados.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Ana Luísa Vieira

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