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Ex-ministro britânico enfrenta processo por ridicularizar burca

Em artigo publicado na última segunda-feira, ele comparando mulheres com burcas a caixas de correio e a ladrões de banco

Boris Johnson deixou o ministério em julho / Reuters - Toby Melville - 26-06-18

O ex-ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, não tem em comum com Donald Trump apenas os cabelos claros e volumosos.

Seu discurso truculento o equipara ao americano em muitas situações, principalmente quando o assunto tem a ver com a população islâmica.

Após deixar o ministério, em julho último, por defender com rigor a saída do Reino Unido do Brexit, suas declarações agressivas em relação ao uso da burca pelas mulheres islâmicas, publicadas em artigo do jornal Daily Telegraph, o tornaram alvo de uma investigação disciplinar do Partido Conservador, segundo o The Guardian.

No texto do jornal londrino, publicado na última segunda-feira (6), ele ridicularizou o traje feminino islâmico, chamando a vestimenta de "ridícula" e "estranha", comparando mulheres com burcas a caixas de correio e a ladrões de banco.

Após um colega ter apresentado uma queixa formal contra Johnson, o ex-ministro pode ser expulso ou suspenso do partido. O parlamentar afirmou que, nem mesmo  se Johnson pedisse desculpas agora, algo que ele tem se recusado a fazer, isso não interromperia o processo.

Ao negar um pedido de desculpas, mesmo com as acusações de machista, xenófobo e preconceituoso, Johnson, deixou de seguir inclusive os pedidos do presidente do Partido Conservador britânico, Brandon Lewis, deixando o comandante da sigla contrariado.

A primeira-ministra Theresa May também criticou a posição de seu ex-ministro, cuja saída se deu por discordância em relação à política do governo para o Brexit, considerada branda por Johnson. Mas, quem criticou as declarações nada brandas de Johnson desta vez foi sua ex-chefe.

“Penso que Boris Johnson usou uma linguagem para descrever a aparência das pessoas que obviamente ofendeu.”

O fundador do Conservative Muslim Forum, lorde Sheikh, sugeriu inclusive que o ex-ministro perca o lugar na Câmara dos Comuns.

O objetivo do texto de Johnson era justamente criticar a decisão do governo da Dinamarca de proibir o uso do traje, sendo o primeiro país europeu a formalizar essa decisão. O título era o seguinte: "Dinamarca errou. Sim, a burca é opressiva e ridícula - mas isso não é razão para a banir."

“Se optam por uma proibição total, arriscam-se a cair nas mãos daqueles que querem politizar e dramatizar o tão chamado choque de civilizações. Arriscam-se a transformar as pessoas em mártires e arriscam-se à repressão geral de qualquer símbolo ou afiliação religiosa pública.”

Mas se a intenção de Johnson era evitar polêmicas, isso foi justamente o que ele não conseguiu.

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