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Número de mortos em intervenção policial cresce 20% em um ano

Em um ano, 5.144 pessoas morreram em confronto com a polícia. Isso significa dizer que 14 pessoas morrem por dia vítimas de ações da polícia

Em um ano, 5.144 pessoas morreram em confronto com a polícia/ FÁBIO MOTTA-ESTADÃO CONTEÚDO-09.06.2018

Fabíola Perez, do R7 09/08/2018 - 12H41

As mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 20% entre os anos de 2016 e 2017 em todo o país. De acordo com os dados do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Publica, divulgado nesta quinta-feira, 9 de agosto, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Publica, 5.144 pessoas morreram em confronto com a polícia. Isso significa dizer que 14 pessoas morrem por dia vítimas de ações da polícia.

"As pessoas confiam menos em uma policia que age de forma mais violenta e abusa do uso da força letal", afirma Samira Bueno, diretora executiva do Fórum. "Isso cria uma lógica de vingança para quem está na outra ponta", diz ela. Segundo a pesquisadora, o grupo de polícias que age a partir dessa lógica de confronto não é grande, porém "mancha a imagem de toda a corporação".

Por outro lado, o número de policiais mortos em serviço teve uma redução de 4,9% no período pesquisado. Foram 367 policiais mortos, o que significa dizer que um policial civil ou militar foi assassinado por dia em 2017. "Já inúmeros policiais que evitam usar farda", diz Samira.

Números também divulgados pelo Fórum mostram que 56% dos polícias que morrem são negros e 70% morrem fora da atividade policial, fazendo bicos, por exemplo.

 

Razões que alimentam a violência

Os números de mortes no Brasil já ultrapassaram as mortes registraram em países como em conflito, como a Síria, e eventos históricos, como o número de vítimas deixados pela bomba atômica. "O padrão de uso da força acaba sendo a resposta diante do descontrole geral do sistema", afirma Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

"O policial puxa o gatilho, mas o sistema como um todo precisa ser revisto", afirma Lima. Os estados que lideram o ranking de violência policial são Rio de Janeiro, Pará e Amapá. "No Rio de Janeiro, prevalece a ideia do 'eles contra nós', e não se investe na investigação e inteligência", diz o diretor.

Segundo Samira Bueno, a ação e a expansão do crime organizado tem pressionado estados e aumentado a violência, a polícia tem produzido muitas mortes e a violência contra a mulher também aumentou. "O crime organizado gerou uma nova dinâmica. É um problema grave para as corporações, mas não é exclusivo da polícia", afirma o diretor do Fórum.

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