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Após invasão de drone, Israel bombardeia Exército sírio

Forças israelenses atacaram posições do Exército sírio na fronteira entre os dois países, após invasão do espaço aéreo do país por drone vindo da Síria

Israel atacou posições sírias perto da fronteira, nas colinas de Golã / Reuters - Ronen Zvulun - 11.7.2018

As forças armadas de Israel bombardearam posições do exército da Síria, nas colinas de Golã, na fronteira entre os dois países. O ataque, na noite desta quarta-feira, 11 de julho, foi uma retaliação à invasão do espaço aéreo israelense por um drone, derrubado por um míssil Patriot horas antes.

Mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, teve um encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Os dois discutiram uma possível retirada de tropas russas, que apoiam o presidente Bashar al-Assad, do território da Síria.

Invasão aérea

Israel abateu um drone da Síria que invadiu seu espaço aéreo mais cedo nesta quarta-feira, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamando a atenção para uma escalada na volatilidade perto da fronteira, que foi tema de debate em Moscou com o maior aliado de Damasco. O drone entrou 10 quilômetros em território israelense antes de ser abatido.

No vídeo abaixo, postado no perfil oficial das forças de segurança israelenses no Twitter, é possível ver o momento que o drone é atingido pelo míssil Patriot.

"Um drone penetrou o território israelense vindo do território sírio horas atrás. Foi abatido com sucesso. E eu gostaria de ressaltar que frustraremos quaisquer tentativas de violar nossa fronteira aérea ou terrestre", disse Netanyahu nesta quarta-feira ao se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin.

Segunda retaliação

Foi a segunda vez em menos de três semanas que Israel disse ter disparado um míssil Patriot contra uma aeronave de controle remoto que voou através da fronteira. A tensão aumentou na divisa porque as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, vêm avançando em sua direção em meio a uma ofensiva contra rebeldes.

O drone, que parecia estar desarmado e ser concebido para vigilância e que também sobrevoou a Jordânia, foi derrubado perto do Mar da Galileia, no sopé das Colinas de Golã, disse o porta-voz militar israelense, tenente-coronel Jonathan Conricus.

"Ainda estamos analisando por que ele cruzou, se estava em uma missão militar e cruzou de propósito ou se ele se extraviou", disse, mas acrescentando que esta última situação "não é comum".

Israel se encontra em estado de alerta enquanto as forças de Damasco enfrentam rebeldes nos arredores de Golã, grande parte do qual o Estado judeu capturou da Síria em 1967 e anexou, uma medida sem respaldo internacional. Israel teme que Assad deixe seus aliados do Irã e do Hezbollah fincarem posições perto de suas linhas.

Fábio Fleury, do R7, com Reuters 11/07/2018 - 19h17 (Atualizado em 11/07/2018 - 19h53)

Leia também: Netanyahu propõe a Putin acordo para retirar forças iranianas da Síria

Eugenio Goussinsky, do R7, com agências - 11/07/2018 - 17h24 (Atualizado em 11/07/2018 - 17h26)

Encontro dos dois líderes têm sido frequentes

Encontro dos dois líderes têm sido frequentes

Reuters

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta quarta-feira,11 de julho, durante encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, que poucas horas antes Israel abateu um drone vindo da Síria, que penetrou em seu espaço aéreo.

Mesmo sem a existência de vítimas, o incidente próximo da fronteira com a Síria serviu para ilustrar ainda mais o tema do diálogo entre os dois líderes: a exigência de que o Irã, e seu aliado Hezbollah, retire todas as suas forças da Síria.

Por outro lado, se isso ocorrer, ele garantiu que Israel não ameaçará o regime do presidente Bashar al-Assad.

O primeiro-ministro não disse quem foi o responsável pelo lançamento do drone. A Reuters informou que o drone também sobrevoou a Jordânia e parecia estar desarmado, tendo sido projetado para vigilância. O equipamento foi derrubado perto do mar da Galiléia, no sopé das colinas de Golan, segundo o porta-voz militar israelense, tenente-coronel Jonathan Conricus.

Neste sentido, o governo israelense também está atento às ações de Assad. Forças leais ao mandatário sírio têm se aproximado cada vez mais da fronteira com Israel, nas proximidades da reivindicada região do Golã, para combater os rebeldes. Parte da região foi conquistada por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias, e é considerada estratégica para os dois países.

Mas, mesmo diante desta situação, o que preocupava mais Netanyahu era a presença do Irã. Momentos antes de viajar para Moscou, ele já havia adiantado ao enviado de Putin, Alexander Lavrentiev, e ao vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Vershinin, que Israel não irá tolerar forças iranianas em território da Síria.

 

Na conversa com Putin, Netanyahu confirmou o que falara aos representantes e ainda garantiu que, caso a Rússia trabalhe para retirar as forças iranianas da Síria, não irá ameaçar o governo presidente Bashar al-Assad. Uma fonte que pediu anonimato, segundo à Reuters, relatou o que foi dito pelo primneiro-ministro. 

"Não tomaremos medidas contra o regime de Assad, e você vai tirar os iranianos."

A Rússia é o principal suporte de Assad na guerra civil de 7 anos. Mas seu apoio a forças hostis a Israel tem sido amenizado com uma postura de diálogo com o governo de Netanyahu. Putin não tem reagido a ataques israelenses contra alvos iranianos e do Hezbollah na Síria, mesmo ressaltando que não quer ver o governo Assad ameaçado.

E tem mantido um canal aberto com Israel, mesmo fornecendo suporte aos sírios, com patrulhas de combate, radares e sistemas de defesa. Desde setembro de 2015, quando a Rússia passou a intervir diretamente na guerra, Putin tem se encontrado com frequência com Netanyahu.

Em agosto de 2017, o primeiro-ministro israelense explicou a um canal de TV de Israel a importância dessas reuniões, entre países que, ao longo da história, passaram por momentos de proximidade e de afastamento.

"Nos últimos anos costumo me encontrar com Vladimir Putin, em primeiro lugar, para garantir nossos interesses e segurança na nossa fronteira setentrional. Posso dizer que todas as negociações realizadas com ele, até hoje, serviram para beneficiar nossa segurança, nossos interesses, bem como, acredito eu, os interesses da Rússia."

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